• Danielli Cavalcanti

O mundo tem o tamanho do nosso coração


Tem muita gente boa espalhada por esse mundão e uma coisa é certa: todos falam a língua que vem do coração. Não é fácil preservar a língua portuguesa e a cultura brasileira fora de nosso país. Abrir um espaço para trocas, diálogos, para arte e para a poesia, é assim que vamos nos lembrar que o mundo é pequeno para tanto amor! A colaboração de Danielli Cavalcanti vem em forma de poema, feito especialmente para a criançada não perder a vontade de aprender português (versões do poema em alemão e dinamarquês):

A MAMÃE FALA PORTUGUÊS

A mamãe fala português

E até que com muita doçura

Mais idiomas são mais culturas

Ela também fala a língua deste país

Mas comigo, diz ela: não vem do umbigo

Comigo só fala em Português, este idioma tem som de abrigo

Por favor, obrigada, desculpa, ela diz

Desse seu jeito ainda sou aprendiz

Português é bonito e bem engraçado

Às vezes parece até embaralhado

Mas conversando, aprendo mais rapidamente

Toda linguagem nos abre a mente

Idiomas são como esporte

Tem que praticar pra ficar mais forte

Em português quero me comunicar

E outras crianças também incentivar

Português é minha língua de herança

Aprendo brincando enquanto criança

Sem nem perceber já estou na dança

E aos poucos vou ganhando até mais confiança

Português se fala no Brasil

Em Portugal e na Guiné Bissau

Em São Tomé e Príncipe

Timor-Leste e Guiné Equatorial

Ainda em Cabo Verde e Angola

Também Moçambique e Macau

A versão em alemão do poema:

Mama spricht auch Deutsch!

Mama spricht auch Deutsch

Aber nicht nur

Mehr Sprachen sind doch mehr Kultur

Sie spricht Deutsch überall

Außer mit mir, sagt sie

Es kommt nicht aus dem Bauch

Und das ist ihre Strategie

Manchmal verwechselt sie den, das, der oder die

Aber wer hat das auch noch nie?

Mit mir spricht sie anders

Mit ihr fühle ich mich doch besonders

Mit mir spricht sie aus dem Herzen

Genau deswegen kann ich es nur schätzen

Es ist egal, wie sie spricht

Für mich ist es so wie ein Gedicht

Mal spricht sie schön, mal komisch

Es klingt manchmal auch sehr romantisch

Sprache macht mir Spaß

Mehrsprachig bin ich aufgewachsen

Sprache ist mehr als ein Pass

In unterschiedlichen Sprachen zu kommunizieren

Dafür beginne ich mich zu interessieren

Und andere Kinder möchte ich auch motivieren

E a versão em dinamarquês:

Min mor taler også det sprog dette land

men med mig er det ikke hendes plan

Flere sprog er flere kulture

Siger hun, når vi går ture

Hvorfor taler du ikke dansk med dit barn?

Spørger en dame hende med garn

Fordi det kommer ikke fra navlen

og det står heller ikke på tavlen

Med mig taler hun sproget i hendes hjerte

som hun fra mormor det også lærte

Hun siger tak, undskyld, velbekomme og værsgo

Men hun siger også de nada, obrigada e por favor

Jeg er hendes lærling

Og te amo er min yndlingssætning

Alle sprog er en livsgave

De bringer os til en havn

Nogle gange forveksler min mor den med det

Men hvem aldrig hat gjordet det?

Nogle gang lyder det sjov

Andre gange som lov

Modersmål og andetsprog er alle værktøj

Nogle gange bruger jeg dem som lejetøj

Danielli Cavalcanti

Sou recifense de nascimento, baiana de batismo e paraibana de fato. Através da disciplina amor puro e aplicado, ministrada por minha mãe, tive as primeiras aulas intensivas de feminismo. Trabalhei mais de 9 orgulhosos, desafiadores e inesquecíveis anos na Ong maiz, uma organização fundada por e para migrantes, em Linz, na Áustria. Flor de Linz é meu primeiro livro publicado. Uma declaração de amor e admiração às migrantes que simbolizam luta, resistência e perseverança, e que formam laços solidários por onde passam. Atualmente, moro na Dinamarca: outra cultura, outro idioma, experiências novas e outras repetidas. Estas últimas, não necessariamente, são mais fáceis de lidar, principalmente, se forem vivências dolorosas. Mas parafraseando Nietztsche, „o que me fere, me flortalece“! Na migração, tornar-se peritas em resiliência é estratégia de sobrevivência. Cada pessoa busca isto de sua forma, cabe a todas respeitarem as condições climáticas de seus jardim internos. Para (sobre)viver sob o manto e entre a cerca da migração escrevo no blog jardimmigrante – jardim da prosa espinhosa cultivado sobre o pólen da migração. Dá uma passadinha por lá também!

Link para o blog: https://jardimmigrante.wordpress.com/


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