Perfil

Data de entrada: 17 de mar. de 2021

Sobre

Joaquina Damião trabalha como Educadora de Infância no Pré-escolar (100). Neste momento (como educadora/bibliotecária), dinamiza a Biblioteca JI2 Tágides, Verderena do AEBARREIRO. Exerce a sua atividade profissional há 35 anos. Dá apoio individual e/ou em grupo a crianças do JI2 Tágides, Verderena. É Autora de um blogue amador sobre “Educação” para pais, crianças e jovens, famílias e educadores e onde tenta dinamizar o sentimento de pertença e de inclusão à escola e ao grupo, servindo a comunidade, descobrindo caminhos para ajudar a promover a saúde e o bem-estar ocupacional, emocional, físico, espiritual, intelectual e social das crianças e jovens. Tenta incutir hábitos de Leitura assídua nas crianças e jovens. Foi Educadora na Madeira (RAM). Fez Rádio e Comunicação Social. Gosta de ler, escrever crónicas e textos. Esteve em Timor na Área da Educação. Continua a aprender a ler, a escrever e a educar-se... É Natural de Luanda, Angola



Portugal - Educação

Portucalidade; Lingua Portuguesa

 

«Esta é a História verdadeira de Tenório, O Galo.

Nascido duma ninhada que a Sra. Maria Puga deitou amorosamente debaixo das asas chocas da Pedrês, em doze de Janeiro, pelas três da tarde, quando a velhota o viu sair da casca, disse logo:

- É frango.»

(TENÓRIO)


"Os Bichos" de Miguel Torga

Educadora Joaquina Damião

2021☺️


 

«Não falo de mim porque isso tornar-me-ia uma pessoa vaidosa e orgulhosa, atributos que só pertencem aos imbecis e aos génios…. Ora eu…francamente não pertenço a nenhuma dessas categorias. O triunfo, e o aplauso publico, não têm o dom de me embriagar. Não me estonteia o cérebro a vulgar monomania das grandezas literárias! Pelo contrário, escrevo com toda a coragem que tenho, ao ar livre, na praça publica, aquilo que defendo abertamente, sem muros que me vedem tendo como único intuito que tudo o que escrevo possa seguramente ser imortalizado num tão renovado infinito monumento literário! E, sim, só o critico dos críticos…o tempo; só ele poderá tornar o que escrevo infalível e insubordinável! E enquanto a critica, no uso dum legitimo direito, avalia livremente tudo o que escrevo, julgando os meus escritos ou optemos ou medíocres ou detestáveis, eu, em vez de me defender publicamente que tenho razão, fico-me pela sensatez de esquecer-me do que escrevi para me lembrar unicamente do que tenho para escrever novamente!... Cheio de luz ou cheio de sombra, alegre ou triste, que importa o dia de ontem? E já cadáver. Deixemo-lo em paz. Pensemos no dia que há-de vir, fitando o azul na direção da aurora. Só os viandantes exaustos é que se sentam de tarde á beira das estradas, medindo em silencio, melancolicamente o caminho percorrido. Não eu!...Não eu!...»


Inspirada em Guerra Junqueiro

Educadora Joaquina Damião

2021☺️


 

«Foi no Doiro, numa cava. Ao meio-dia a Margarida veio trazer o jantar, e embora a sardinha e o caldo de gravanços tirassem a coragem ao mais pintado, a cara da rapariga desanuviava os horizontes.

Era nova, sadia, alegre e de resposta sempre na ponta da língua. Por isso sabia bem dar-lhe um apertão, passar-lhe sornamente o braço pela cintura, e ouvir-lhe depois os protestos vivos e desembaraçados.

- Ó seu alma do diabo, você cuida que isto é comida de cães?»

(O LEPROSO)


"Novos Contos da Montanha" de Miguel Torga

Educadora Joaquina Damião

2021☺️


 

«...- Nero! Nero! Anda cá, meu palerma! A principio não percebeu. Mas foi reparando que o som vinha sempre acompanhado de broa, de caldo, ou de um migalho de toucinho. E acabou por entender. Era Nero. E ficou senhor do nome, do seu nome, como da sua coleira. Principalmente depois que o patrão novo chegou, sério, com dois olhos como dois farois. Apareceu à tarde, num dia frio. Fora-o esperar na companhia da patroa nova. È claro que nem sequer lhe passara pela ideia a vinda de semelhante figurão. Seguira-a maquinalmente, como fazia sempre que a via transpor a porta.»

(NERO)


"Os Bichos" de Miguel Torga

Educadora Joaquina Damião

2021☺️


 

«...Há sessenta anos no mundo e ceguinho como uma toupeira. E os outros na mesma conformidade. Para todos os habitantes de Vilarinho, sem excepção, as noites eram noites - escuridão apenas apesar da claridade. Ricos e pobres nem no brilho do sol reparavam. Comiam, bebiam e cavavam leiras, numa resignação de condenados.

-A vida é assim...

E a vida como um fruto, estava cheia de doçura. Mas fora preciso, para o saber, que Bambo lhe aparecesse...»

(BAMBO)


"Os Bichos" de Miguel Torga

Educadora Joaquina Damião

2021☺️

 

«...Não caiu em terra ingrata a semente.

Guilherme do Amaral, como todos os homens sem originalidade, indefinidos na consciência própria, bisonhos da experiência das coisas, que individualiza a indole das pessoas, aceitou as teorias do cavalheiro lisbonense como boas para uso ordinário, sem contudo sairem da esfera extraordinária.

O que repugnava ao provinciano era a vida comum, o vegetar trivial das vocaçoes vulgares, o insosso desperdicio de jubilos rolos, e de aspiraçoes tacanhas em que a mocidade consumia o vigor do espirito entre o contentamento de vestir uma casaca elegante e as doçuras de ver á tarde o namoro na janela.

Guilherme não conhecia ninguem no Porto; mas á mesa redonda da Águia de Oiro, encontrou rapazes da provincia, seus conhecidos da feira de Viseu, já relacionados no Porto, e prontos a apresentá-lo á aristocracia, á mediocracia, e á população importante dos botequins.»


"Onde está a felicidade?" (Cap. II), de Camilo Castelo Branco

Educadora Joaquina Damião

2021☺️

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Prof. Joaquina Damião

Prof. Joaquina Damião

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