Novo velho mundo




Vamos falar do que sempre falamos: educação. Só isso? Pois, só isso é que determina todo o futuro da humanidade. O novo mundo, ainda não tão pós pandêmico como esperamos, é mais antigo do que percebemos. Os velhos problemas continuam a colocar em questão o que realmente desejamos. Só a educação transforma o homem e só o homem transforma o mundo, já dizia o mestre Freire. E por que não funciona? Por que a educação, mesmo que chegue a todos nos países mais desenvolvidos, ainda é desestimulante, sistemática, competitiva e antiquada? Destrinchando um pouco o que dissemos:

Desestimulante - experimente ficar mais de cinco horas em uma sala com as mesmas pessoas, seguindo as mesmas rotinas durante a maior parte dos dias dos anos. Por maior que seja o esforço das instituições e dos educadores, não há quem suporte tanto condicionamento e confinamento.

Sistemática - a própria palavra é autoexplicativa: constante, contínuo e persistente. O sistema educacional por mais que use e abuse de novas tecnologias e metodologias aparentemente modernas está desconectado daquilo que realmente importa nos novos tempos que batem à porta. Tudo mudou tão pouco....

Competitiva - continuamos estimulando as diversas formas de competição de maneiras diversas: o ajudante do dia, o melhor, o mais criativo, o mais carinhoso, as notas e as avaliações que não nos dão um perfil do aluno, simplesmente nos aponta o abismo que continuamos criando entre nossos alunos.

Antiquada - não importa a quantidade de ferramentas tecnológicas, acesso à internet, metodologias revolucionárias você tenha na sua escola se não rompermos com a velha e caquética estrutura de aprendizagem. Hoje fazemos coisas velhas em novas ferramentas. O que é preciso ser mudado continua estático.

Pois muito bem, que escola queremos? Que leitor buscamos? Que futuro nos espera com tanto desgaste e tantas velhidades (perdoem o neologismo: velhidade é a característica de algo velho vestido de novo)? Então, qual seria a solução? Não acho que exista uma solução única num mundo tão diverso, mas acredito que há sim uma linguagem única na construção e compartilhamento de saberes, e ela parte do afeto, da liberdade de pensamento, do respeito ao outro e, principalmente, da percepção da importância de todos no desenvolvimento do todo. Repetitivo? Não, digo que é necessário compreendermos que a educação vai muito mais além de passar e repassar conhecimentos. Educação é proporcionar que cada indivíduo possa ser pleno e que tenha capacidade para pensar e refletir.


A escola era o lugar do ócio, na antiga Grécia. O lugar de pensamento, reflexão, poesia e beleza. No que transformamos a escola? Fica a pergunta aguardando respostas. Sigamos, firmes, fortes, pensando, refletindo….só há caminho ao caminhar (António Machado)